Ciao! Vamos te mostrar uma viagem extraordinária à antiga China de 2.200 anos atrás. “O Exército de Terracota e o Primeiro Imperador da China” representa a mais completa exposição já criada sobre a necrópole do Primeiro Imperador Qin Shi Huangdi, a oitava maravilha do mundo pelo impacto visual que a tornou famosa em todo o mundo. Ansiosos por conhecer? 

Vamos começar pelo termo Exército de Terracota, que refere-se à coleção de esculturas encontradas em 1974 na China. São mais de oito mil estátuas de soldados depositadas em um trio de fossas que ficam nas proximidades do túmulo do imperador Qin Shi Huangdi, o primeiro Imperador da China. Acredita-se que eles foram colocados ali sob a crença de que o exército protegeria o líder chinês no pós-morte. E o nome terracota vem do material de que são feitas as esculturas: argila cozida no forno, em torno dos 900 °C. Um material lindíssimo e muito delicado, tanto que apesar de descoberto na década de 70, há espaços ainda não explorados pelos pesquisadores, que o fazem com muito cuidado.

O Exército de Terracota

O Exército foi descoberto por agricultores chineses que cavavam um poço nas proximidades. Historiadores acreditam que para construir esse mausoléu, iniciado quando o imperador tinha apenas 13 anos, mais de 720 mil trabalhadores e artesãos, entre eles condenados por crimes e escravos, se dedicaram à obra em 36 anos de trabalho. Dizem ainda que depois de tudo pronto, o imperador mandou matar a todos para que ninguém soubesse a localização de seu mausoléu.

O Exército de Terracota e a construção desse mausoléu diz muito sobre a cultura da China na época, a qual acreditava-se que o imperador continuaria seu governo na vida após a morte. Por isso, o espaço é divido em vários ambientes, salas e até muralhas, para defender o imperador de possíveis embates.

O Exército de Terracota

Mais de oito mil soldados, 130 carruagens com 520 cavalos, 150 cavalos de cavalaria, serviçais do império, artistas e acrobatas. Estes divididos em três fossas diferentes, sendo que uma quarta fossa também foi achada, porém vazia. A primeira estava lotada de figuras e servia como uma espécie de linha de frente de batalha com cerca de 6 mil peças. A segunda tinha menos estátuas, cerca de 1.400. Os estudiosos acreditam que alí era a guarda militar do imperador. Já a terceira foi destinada a estátuas com oficiais de alto escalão com apenas 68 peças. 

Uma curiosidade é que as armas do exército não são reproduções. Segundo pesquisadores, elas foram usadas na Guerra de Unificação. Cerca de 40.000 dessas armas, sem a base de madeira foram encontradas nas fileiras da fossa número 1 e datam de 245 a 228 a.C. Nesse período, 90% das armas eram feitas em bronze, apesar dos exércitos europeus já usarem armas de ferro a séculos. As armas em bronze são menos afiadas porém mais resistentes e aqueles 10% das armas em ferro usadas pelo exército chinês eram apenas comemorativas.

Quando se olha de perto o exército do Imperador Qin Shi Huangdi, a impressão é de que eles tem muitas expressões diferentes, mas como os artesãos conseguiam criar essa diversidade com um número tão pequeno de moldes? Se pensa que foram usados apenas 8 moldes para a criação do exército. A resposta está no acabamento, pouco antes do cozimento das estátuas, onde as orelhas, bigodes, cabelos e diversas outras partes eram personalizadas. Expressões de alegria, tristeza, juventude ou raiva eram assim individualizadas. Além disso, elas era pintadas com tintas bem coloridas, que com o tempo saíram e restou apenas a coloração da argila. 

O Mausoléu de Qin Shi Huang, o primeiro imperador chinês, é uma área realmente muito grande, são 56 km². E além de esculturas de soldados, cavalos, estábulos, palácios e muralhas, também foram encontrados nas proximidades restos mutilados de mulheres, que teriam sido amantes do imperador, bem como o seu filho mais velho que também teria sido assinado, logo após a morte do pai.

Nos últimos 10 anos de vida, o Imperador Qin Shi Huangdi realizou 5 grandes viagens de controle de seu território e somente uma delas resta descrita. Para o imperador, suas viagens eram a oportunidade de praticar ritos associados a seu titulo. Naquele período o soberano tinha um papel também espiritual e se catástrofes abatiam a população, como tempestades ou terremotos, estes achavam que seu soberano não havia feito corretamente os rituais. 

O Exército de Terracota

Enquanto praticava sua quinta viagem em seu império, o Imperador fica doente inesperadamente e morre poucos dias depois em 10 de setembro de 210 a.C com apenas 49 anos de idade. A causa da morte é desconhecida, porém acredita-se no envenenamento. Com medo da morte, o Imperador Qin Shi Huangdi mandava preparar constantemente uma poção curadora que lhe garantiria a vida eterna. A base de sua poção era feita com cinabre, um composto mineral de sulfeto de mercúrio que na verdade é tóxico e fatal se consumido em grandes quantidades.

E no caso da mostra O Exército de Terracota e o Primeiro Imperador da China, o Extremo Oriente encontra a cultura européia, em um cenário incrível, com mais de 300 reproduções de objetos feitos no início do império, incluindo estátuas, mais de 170 soldados, armas e objetos descobertos na vasta necrópole de Xi’An. 

A escolha de exibi-la na Fabbrica del Vapore em Milão assume um significado particular também devido à proximidade com o Cemitério Monumental, um lugar imponente e magnífico, um símbolo de espiritualidade e que lembra a sacralidade e força do famoso Mausoléu que abriga as esculturas de terracota na China. Um paralelismo único em uma reunião de culturas antigas que coloca no centro o Exército de Terracota do Primeiro Imperador da China, uma das maiores descobertas arqueológicas do século 20, assim como a descoberta do túmulo de Tutancâmon, as cavernas de Lascaux e Machu Picchu. 

O Exército de Terracota

Enterrado no solo de Xi’an, no leste da China, o exército faz parte do mausoléu dedicado ao imperador. Artesãos chineses da região de Xi’An, hoje, que com os mesmos materiais da época perpetuam a grande tradição da arte oriental. A beleza das estátuas, as obras redescobertas, sua história e a natureza espetacular que o sítio arqueológico oferece ao visitante, revive a luz e a grandiosidade de um império. Visita imperdível!

L’Esercito di Terracotta e il primo Imperatore della Cina

La Fabbrica del Vapore 
Via Giulio Cesare Procaccini, 4 – Milão
De 8 de novembro de 2019 a 9 de fevereiro de 2020

Horário 

Das 10:00 às 20:00 e quintas-feiras até 23:00 (As terças-feiras a exposição abre apenas mediante reserva para grupos, escolas, atividades educacionais e feriados)

Valores

Inteira: 14,50€ nos dias úteis, já nos finais de semana e feriados: 16,50€ 

Com desconto: 12,50€ nos dias úteis, já nos finais de semana e feriados: 14€

Crianças e adolescentes (6 a 16 anos) 9€ nos dias úteis, já nos finais de semana e feriados: 11€

Menores de 5 anos entrada gratuita

Como chegar

Tram (bondinho) 12-7-14 
Metrô M2 (linha verde) Estação Garibaldi 
Ônibus 37

5 Comments

  1. O exército de terracota é uma das coisas mais impressionantes que já vi. Com certeza visitar a exposição é imperdível!

  2. Que maneira essa exposição em Milão! Nós vimos os guerreiros de terracota originais aqui na China e foi espetacular!

  3. Essas esculturas do Exército de Terracota são uma preciosidade! Esse paralelismo de culturas é realmente muito especial! Amei o post!

  4. Que legal a oportunidade de ver o exército de terracota em Milao! Adorei saber mais da história e nao sabia desse detalhe das armas. Valeu a dica!

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