Ciao! Decidimos fazer um guia do que fazer em Milão, que é sempre visto como uma cidade “de passagem”, mas tem tanta coisa bacana pra se fazer, que é injusto dizer isso, e lendo essa lista você vai concordar com a gente.

Vamos lá!

Duomo

Nosso lugar predileto em Milão e não precisa de apresentação (leia aqui o post que fizemos exclusivamente para ele). O Duomo é feito em mármore branco-rosa de Candoglia, todo ornamentado e cheio de lendas e de uma beleza ímpar, com estátuas como a de São Bartolomeu que segura sua própria pele em sinal de seu martírio, e algumas outras estranhas como a de pugilistas e uma raquete de tênis. Além da primeira Estátua da Liberdade na sua fachada, feita 70 anos antes da americana e serviu de inspiração para essa. São 3.400 estátuas no total, 135 gárgulas e 700 outras figuras.

Um dos pregos sagrados da cruz de Jesus também está no Duomo, e pode ser visto por todos nós a partir do segundo sábado de setembro, por dois dias.

É passagem obrigatória quando se vem a Milão.

Galleria Vittorio Emanuele II 

Coitado do Touro

Galeria em estilo neo renascentista em forma de cruz que liga o Duomo ao Teatro Scala, é chamada de “salotto” de Milão e segundo um regulamento todas as lojas no seu interior tem o nome escrito em dourado com fundo preto. Dá pra ser mais elegante? Você precisa visitar!

A superstição diz que para retornar a Roma o turista deve jogar uma moedinha na Fontana di Trevi, de costas e olhos fechados. E para retornar a Milão? Bom, a solução, bem menos elegante é girar 3 vezes o calcanhar direito nas partes íntimas do touro que se encontrar no chão de mosaico da Galeria. Isso garante o retorno a cidade. Esse ritual é feito tantas vezes que ele deve ser sempre restaurado.

Teatro alla Scala

É o teatro de óperas de Milão e o maior teatro lírico do mundo. Foi inaugurado em 1778 e inspirou depois a Ópera de Viena. Particularmente não achamos ele muito bonito por fora, talvez por ficar do lado da Galeria Vittorio Emanuele e perto do Duomo ele fique mais “feinho” em comparação, mas por dentro ele é um espetáculo único.

Comprar um dos disputadíssimos bilhetes para as óperas é um exercício de paciência, mas mesmo não conseguindo é possível visitar o museu.

Uma curiosidade é que seu famoso lampadário com 400 lâmpadas não é todo de cristal, mas sim de plástico em algumas partes. Não por motivos econômicos, mas de segurança, ele ficaria muito pesado. O atual lampadário é uma cópia daquele que foi destruído nos bombardeios da Segunda Guerra Mundial. Para limpá-lo, demora vinte dias!

Quadrilatero della Moda 

Milão é sem dúvidas a capital da moda. E o “Quadrilátero de ouro da moda” que é composto por quatro ruas (Via Montenapoleone, Via Alessandro Manzoni, Via della Spiga e Corso Venezia) é onde os estilistas oferecem suas melhores criações.

Passear pelo Quadrilátero é uma oportunidade única para respirarmos a magia de Milão entre as lindas luzes das lojas, a elegância dos atêlies, o charme das perfumarias, cercados pelas maiores marcas: Armani, Versace, Dolce e Gabbana, Prada, Louis Vuitton, Chanel, Gucci, Bulgari, Cartier, Valentino.

É considerada uma das ruas mais caras do mundo junto com a Quinta Avenida em Nova York e Champs Elysees em Paris (aproveite para ler aqui a matéria exclusiva sobre as ruas de compras em Milão).

Andando pelo Quadrilátero você se sente em uma passarela e às vezes é possível encontrar algum famoso fazendo compras, já encontramos uma das Spice Girls por ali.

Chiesa San Bernardino alle Ossa

Já dissemos no post do Duomo de Milão, no post do Castelo do Drácula na Romênia e no post das Catacumbas de Santo Estevão em Viena (quantos!) que adoramos coisas macabras. Então, essa igreja fica pertinho do Duomo e contém ossos humanos, sim, crânios, tíbias, de adultos e crianças cobrem as paredes da capela.

Sendo um lugar macabro assim, existem várias hipóteses e lendas da origem dos ossos: pela peste, ossos dos mártires cristãos guiados por São Ambrósio contra os arianos, mortos pela invasão bárbara no ano de 539, e tantas outras.

Uma lenda narra que um esqueleto de uma menininha que fica no lado esquerdo do altar do ossário, no dia de finados volta a vida e dança com os outros ossos a “dança dos mortos”.

E olhando para cima, em uma caixinha de madeira alguns ossos de assassinos ainda estão “presos” para a eternidade.

A entrada é gratuita e sempre ficamos uma meia hora sentados ali, tentando imaginar a história de cada um daqueles ossos. É um lugar realmente surpreendente de Milão e vale uma visita.

Cenaculo Vinciano

A Última Ceia de Leonardo da Vinci em Milão é passagem obrigatória também, você já percebeu que sempre que pensa na imagem da Santa Ceia vem essa pintura a mente? Leonardo da Vinci praticamente criou o retrato dessa história bíblica. Você tem que ver! Ele foi pintado na parede onde era o refeitório do Convento di Santa Maria delle Grazie e confesso que saímos muito emocionados ao vê-lo, com o tempo a pintura está se apagando e é muito triste saber que uma obra dessa importância está acabando. Para visitá-lo você deve se organizar bem, os ingressos são super concorridos e é praticamente impossível comprar na hora.

Castello Sforzesco

O Sforzesco fica numa linha reta saindo do Duomo, e o caminho entre eles é uma rua linda, cheia de restaurantes, sorveterias, lojas e é um dos passeios mais bacanas em Milão. Dentro dele, no pátio, é possível comer um lanchinho, conversar, ficar horas tomando sol, beber água nas “viuvinhas” e ver os turistas e moradores passeando. O Castelo é também um importante museu de instrumentos musicais, de arte decorativa, arte pré-histórica, entre outros. Nossa obra favorita ali que é a Pietà Rondanini, escultura não finalizada de Michelângelo que seria usada para seu túmulo, porém ele morreu antes de termina-la. Os ingressos são comprados na hora.

Uma dica bem legal é que todo primeiro domingo do mês a entrada é gratuita nos museus. Então, se vier a Milão e gostar de museus, aproveite (veja aqui quando e quais museus de Milão são gratuitos).

Aproveite também e faça um passeio no Parco Sempione, antes jardim do Castelo e exclusivo da família real, hoje é um dos lugares preferidos dos milaneses. Relaxe com a vista do Castelo de um lado e o Arco della Pace de outro.

Navigli

São dois canais antes usados para transportes de mercadorias de Milão, hoje uma das zonas mais frequentadas e amadas de turistas e moradores. Faça o caminho saindo do Duomo, passando pela Via Torino, chegando a Porta Ticinese e na Piazza XXIV Maggio, demora cerca de meia hora, mas as vezes demora mais porque na Via Torino é fácil se distrair com várias lojas bem legais.

No Navigli existem vários barzinhos, restaurantes onde os milaneses e turistas fazem o “aperitivo” que é o nosso Happy Hour com a diferença que se come (quantas vezes quiser repetir) os buffets disponíveis. Basta comprar uma bebida, cerveja, vinho, um drink, e o buffet é incluso. Nós, e a maior parte daqueles que fazem o aperitivo, já aproveitam e fazem o “apericena“, aperitivo + cena (jantar).

Ainda sobre o Navigli, conheça: A Viela dos Lavandeiros: um pequeno vislumbre da história de Milão.

Chiesa di Santa Maria presso San Satiro

A Chiesa di San Satiro é fantástica, fica escondida na Via Torino. Entrando é uma igreja comum, mas andando em direção ao altar você percebe que tem algo “errado”. Ela esconde uma ilusão de ótica, obra de Bramante, um dos maiores arquitetos italianos. Ele pintou a abside em 97 centímetros e não 9 metros e setenta centímetros como era o projeto original, tornando essa igreja uma obra-prima do estudo de perspectiva.

Cimitero Monumentale

Famedio

Cheio de obras de arte funerárias clássicas e contemporâneas com templos gregos e obeliscos o Cemitério Monumental é um museu a céu aberto. Sua entrada principal, chamada de Famedio, foi pensada para ser uma igreja inicialmente e alguns monumentos fúnebres de famílias milanesas importantes como Pirelli e Campari estão ali. Abandonado no fundo do cemitério tem o primeiro crematório da Europa e andando por ele é fácil esquecer que é um cemitério.

Pinacoteca di Brera

Napoleão Bonaparte em vestes de Vênus Pacificador, fica na entrada da Pinacoteca

Um dos museus mais importantes do mundo, com obras como “Achando o corpo de São Marcos”, de Tintoretto; “O Beijo”, de Francesco Hayez, “O Casamento da Virgem”, de Rafael, e em especial “Lamento sobre Cristo Morto”, de Mantegna. A Pinacoteca de Brera (leia aqui sobre Brera) tem entrada gratuita no primeiro domingo do mês e vale muito a visita, principalmente para quem adora museus. Independente das obras em exposição, o prédio da Pinacoteca é uma obra de arte por si só.

Certosa di Milano

A Igreja de São Maurizio ou “Capela Sistina” de Milão. Totalmente fora do circuito turístico. Não foi pintada pelo gênio Michelangelo como a do Vaticano, mas é especialmente bela também, de autoria do pintor lombardo Bernardino Luigi, e é considerada uma das mais importantes pinturas lombardas do século XVI.

A igreja fazia parte do Monastério das freiras beneditinas e depois transformado em um convento de clausura, para onde iam as donzelas milanesas ricas. Sendo assim, a família de uma delas, os Bentivoglio construíram a igreja em 1503.

Sua contra fachada é do mestre Caravaggio, o qual somos especialmente fãs.

É uma daquelas igrejas não famosas dos turistas, mas que deve ser visitada, é espetacular.

Basilica di Sant’Ambrogio

Uma das mais antigas igrejas de Milão, construída em 387 pelo próprio santo que lhe dá o nome. Um ponto muito forte da Basílica é a decoração de mosaico de Cristo Redentor entronado entre os Santos Gervásio e Protásio em trajes militares e duas cenas da vida de Santo Ambrósio, como ele descansando e outra dele sendo carregado por anjos para Tours a fim de celebrar o funeral de São Martinho, patrono da igreja francesa. Foram escolhidos assim para celebrar a aliança entre a igreja milanesa e a francesa, que remonta ao século IX, mas quase completamente restaurado após os bombardeios da Segunda Guerra Mundial.

La Colonna del Diavolo

A esquerda da Basílica de Santo Ambrósio fica uma coluna romana com dois furos que, segundo as lendas, foi feita por uma chifrada do Diabo.

Uma manhã, Santo Ambrósio estava caminhando pela Basílica e encontra Satanás. Conversaram por um bom tempo, no qual ele tenta convencer o Santo a desistir de seus votos. Cansado das tentativas, Santo Ambrósio luta e dá um chute, fazendo o diabo cair de cabeça contra a coluna, formando os dois furos e ficando ali preso por dois dias até conseguir criar um portal para o inferno e fugir.

Dizem que ainda hoje se aproximando dos buracos se sente cheiro de enxofre e o barulho do fogo infernal. E ainda que na Páscoa se pode ver uma carroça com as almas danadas, puxadas pelo próprio Diabo. Que história não?

Colonne di San Lorenzo

Na frente da Basílica de São Lourenço é possível voltar no tempo e admirar uma Milão antiga, com 16 colunas de inteiro mármore da época que a cidade era a capital do Império Romano Ocidental. Foi ali que o Imperador Constantino, em 313 consentiu a liberdade de culto, inclusive cristã. Em sua parede está a Lápide de Lucio Vero, do ano 167 d.C. Lucio, junto com Marco Aurélio, governaram o Império Romano.

É uma parte bem bacana da cidade, cheia de barzinhos em volta, muitos jovens se reunem à noite para conversar e também fazer o famoso “aperitivo”.

Fondazione Prada

Instituição dedicada a arte contemporânea e cultura. De 1993 a 2010 a Fundação organizou um espaço expositivo de 24 personalidades artísticas de nível internacional em Milão. De 2005 a 2009, em ocasião da Bienal de Viena, foram expostas também obras de personalidades em Veneza.

Nos últimos 20 anos foram promovidas atividades cinematográficas e em 2011 a Fundação abre uma sede em Veneza, seguida em 2015 por uma sede em Milão.

É uma parte nova na cidade e nada turística, ainda, mas é bem moderna e interessante.

Chinatown

É o bairro de Milão com o maior número de lojas e moradores chineses. Adoramos a Chinatown! Divertida, cheia de comidinhas diferentes e gostosas, é um ótimo passeio.

Um dos mercadinhos de Chinatown, vontade de comprar tudo!

A doceria Huang Ji Dessert e seu famoso suco de frutas e doces, fica dentro do Oriental Mall. O restaurante Hua Cheng, com pratos deliciosos fora do rolinho primavera. Não deixe de ir no Kathay Food, que tem produtos desde tailandeses até os nossos brasileiros!

CityLife

É um projeto de requalificação do quarteirão Fiera di Milano, com o intuito de criar uma nova urbanização e um grande impacto visual. Após um concurso, foi criada a sociedade “CityLife“, controlada agora pelo Gruppo Generali e participação da Allianz. O projeto foi lançado em 2004, começou a ser realizado em 2007 e deveria ficar pronto até a Expo em 2015, mas atrasou e ainda está em finalização no ano de 2018.

O projeto e seus 3 arranha-céus (Tre Torri): o reto, o torto (estão prontos) e o curvo (em construção). Esses arranha-céus desafiam a engenharia com seu projeto audacioso, mas ao mesmo tempo mostra toda a modernidade de Milão.

O projeto inclui a maior área para pedestres da cidade e uma das maiores da Europa.

O Shopping CityLife que está entre os 3 prédios é também super moderno, elegante, com muitas lojas, restaurantes, fácil acesso com um metrô na porta (Estação Tre Torre – Linha Lilás). Seu estilo foi inspirado em um bosque, com revestimento do teto e piso em bamboo. Lindo!

San Siro Stadio

Estádio do Milan e do Inter de Milão, que também dividem seu museu. Esse estádio tem shows, muitos jogos e é perfeito para quem gosta de esporte. Tem visita guiada e o acesso é super fácil, tem um metrô na porta (Estação San Siro Stadio – Linha Lilás).

Bosco Verticale

É um edifício residencial sustentável que contribui para o meio-ambiente e biodiversidade urbana. A primeira vez que vimos ficamos impressionados, ele é lindíssimo e muito diferente, as plantas ajudam a manter a umidade correta do ar, deixando os apartamentos mais frescos no verão e também auxiliam no isolamento acústico. Sendo residencial só podemos ver de fora, a não ser que tenha um amigo morador.

Piazza degli Affari

Praça da famosa escultura L.O.V.E, ou “O Dedo”, que é essa escultura malcriada da imagem que fica bem na frente da bolsa de valores de Milão. Oficialmente se trata de uma saudação romana (braço direito alto cerca de 135 graus e a palma da mão reta com os dedos unidos), porém com quatro dedos cortados, deixando apenas o dedo médio. Já foi associada como protesto as altas finanças, mas seu criador Maurizio Cattelan nunca confirmou essa teoria. De qualquer forma é uma obra interessante e divertida.

Tá vendo como Milão é surpreendente, cheia de mistérios, lendas e histórias?

Até a próxima! Bacione!

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