Ciao! Sempre ouvimos falar que vir a Itália e não visitar igrejas é uma tarefa impossível, que bom! As igrejas aqui são lindíssimas e cheias de histórias, então se puder entre em todas que passar pela frente. E visitar a Basílica de Santo Ambrósio aqui em Milão é um dos mais interessantes passeios, já que ela é uma de suas mais antigas igrejas e foi construída pelo próprio Santo Ambrósio, padroeiro da cidade. Junto ao Duomo, ela representa o ponto de apoio da vida espiritual de Milão e é um tesouro da arte sacra. Uma grande devoção popular gira em torno dessa basílica que atrai fiéis e turistas o ano todo.

A beleza da basílica começa já na sua entrada, com um magnífico pórtico de quatro lados composto de colunas com trabalhos em relevo, é extremamente acolhedor e impressionante, um magnífico exemplo da arquitetura românica lombarda.

Construída entre os anos 379 e 386 d.C. em uma vasta área originalmente reservada aos enterros cristãos e caracterizada pela presença de pequenas celas dedicadas aos mártires Gervásio e Protásio, assim como destinada a abrigar o túmulo de seu fundador, Santo Ambrósio. Ela foi amplamente modificada a partir do século IX e atualmente é composta por três naves, duas laterais e uma central, além de um teto composto por abóbadas cruzadas e pilastras que dão uma grande sensação harmônica.

Curiosidades

Santo Ambrósio foi enviado a Milão como prefeito do norte da Itália e, devido a seu cargo, remediou a discórdia pela nomeação do novo bispo. Foi então que o povo, depois de ouvir seus discursos sobre a paz e o bem da nação, o escolheu como novo representante da Igreja de Milão. A princípio, Ambrósio não quis aceitar, mas empurrado pelo próprio imperador, foi convencido a se tornar bispo.

Os restos mortais de São Gervásio e São Protásio, assim como de Santo Ambrósio estão ali na basílica como foram idealizados na sua construção e podem ser visitados como vemos na imagem abaixo. Estudos feitos na ossada dos 3 santos mostram que Ambrósio era um homem de cerca de sessenta anos, mais ou menos, quando faleceu e sua altura era de 1,68m, tinha uma fratura na clavícula direita e uma assimetria decisiva do rosto, talvez ligada a um trauma: não nos esqueçamos de que antes de se tornar bispo, ele foi político e militar de primeira ordem.

Os restos mortais de Santo Ambrósio, São Gervásio e São Protásio
Os restos mortais de Santo Ambrósio, São Gervásio e São Protásio

Quanto aos restos mortais dos mártires Gervásio e Protásio, estes parecem ser dois jovens (entre 23 e 27 anos), mais altos que 1.80m e de “constituição saudável e robusta”, no entanto, sinais de lesões aparecem em seus corpos e em um dos dois corpos sinais muito prováveis ​​de decapitação. Isso confirmaria o que a tradição de um texto pseudo-ambrosiano que nos conta sobre as modalidades de seu martírio: um decapitado, e o outro abatido com um chicote de bolas de chumbo.

Pintura medieval, o Martírio de São Gervásio e São Protásio

Na nave central, no alto de uma coluna, posiciona-se uma cobra de bronze. Segundo a lenda, seria a serpente forjada por Moisés no deserto para defender seu povo das mordidas de serpentes, assim quem fosse mordido era salvo magicamente apenas olhando para a cobra de metal. Agora como a cobra chegou à Basílica é ainda mais lendária. Por volta do ano 1000, Arnolfo, arcebispo de Milão, foi a Constantinopla para levar sua prometida esposa bizantina ao imperador Otto III. A missão falhou porque o imperador morreu antes de ver sua noiva. A princesa foi repatriada, mas a serpente de bronze, que era um dos presentes de casamento, permaneceu em Milão. Apenas colocada na Basílica, os milaneses consideravam-na um objeto mágico capaz de curar doenças e vermes intestinais. E não para por aí: a lenda ainda reserva outras surpresas: dizem que no dia do juízo final a serpente voltará à vida, descerá da coluna e retornará ao vale de Josafat onde as mãos de Moisés forjaram-na.

Cobra de bronze
Cobra de bronze, que segundo a lenda, seria a serpente forjada por Moisés no deserto para defender seu povo das mordidas de serpentes

A coluna do Diabo

Do lado de fora a esquerda da Basílica de Santo Ambrósio fica uma coluna romana com dois furos que, segundo as lendas, foram feitos por uma chifrada do Diabo, é La Colonna del Diavolo (a coluna do diabo).

Uma manhã, Santo Ambrósio estava caminhando pela Basílica e encontra Satanás. Conversaram por um bom tempo, no qual ele tenta convencer o Santo a desistir de seus votos. Cansado das tentativas, Santo Ambrósio luta e dá um chute, fazendo o diabo cair de cabeça contra a coluna, formando os dois furos e ficando ali preso por dois dias até conseguir criar um portal para o inferno e fugir. Dizem que ainda hoje se aproximando dos buracos se sente cheiro de enxofre e o barulho do fogo infernal. E ainda que na Páscoa se pode ver uma carroça com as almas danadas, puxadas pelo próprio Diabo.

Não deixe de ver na Basílica

Uma maravilha incomparável é o Altar, coberto em todos os quatro lados com placas de ouro e prata em relevo, com faixas de pedras preciosas, uma obra-prima sem comparação do século IX. O rosto para a nave, em folha de ouro, apresenta cenas da vida de Cristo; nas costas, em prata dourada, episódios da vida de Ambrósio.

Altar

O Sarcófago “di Stilicone” (Flavio Stilicone, general do exército romano) foi provavelmente esculpido na segunda metade do século IV e está em sua posição original. É geralmente atribuído a dois escultores diferentes, um fez a tampa, enquanto o segundo fez os relevos nas laterais do sarcófago. Stilicone pode ou não ter sido enterrado aqui (o sarcófago começou a ser atribuído a ele somente no século XVIII, antes eram atribuídos aos restos do imperador Graciano). Sendo muito antiga muitas de suas informações infelizmente se perderam. 

Sarcófago “di Stilicone”
Sarcófago “di Stilicone”

A sétima capela, que leva à capela de San Vittore em Ciel d’Oro (São Vitório em um céu de ouro) que originalmente ficava independente da basílica, fechado por uma cripta. A obra leva o nome dos azulejos dourados e inclui a mais antiga representação conhecida do Bispo Ambrósio, cujo rosto é representado com impressionante realismo, apesar da técnica do mosaico. Na parte mais alta da cúpula, o busto de São Vitório é representado por pedras de mosaico de ouro: na cabeça, a coroa de jóias típica dos mártires.

Viu porque você deve entrar em todas as igrejas italianas que puder? Elas são verdadeiras obras de arte cheias de curiosidades e histórias. Até a próxima. Bacio!

Horário de funcionamento

Segunda à Sábado: das 7h30 às 12h30 e das 14h30 às 19h00 
Domingo das 7h30 às 13h00 e das 15h00 às 20h00
No entanto, para visitas, é solicitado que verifique se não há liturgias em andamento.
www.basilicasantambrogio.it/


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